domingo, 12 de junho de 2011

MENINO

http://www.youtube.com/watch?v=Eq7tu4NvyE0


Essa é do disco Saudade do Brasil, da Elis Regina. Lembro que nossa mãe escutava muito esse LP quando a gente era pequeno. Acho que a Elis tinha recém morrido e meus pais eram muito fãs, assim como metade do país. Lembro bem, também, que esse disco tinha algumas músicas que podem ser chamadas de verdadeiro "som pesado", com letras muito mais "pesadas" que qualquer banda boba de metal. "Aos nossos filhos", "As aparências enganam", "Onze Fitas" e essa que é a razão deste post. Fazendo contraste com as pesadas, o LP tinha outras canções bem alegres, como "Marambaia", "O Primeiro Jornal", "Alô, alô, marciano", "Maria, Maria", etc. Além da clássica "Canção da América", obra prima da parceria Milton Nascimento + Fernando Brant, que tanto bem trouxeram à poesia do nosso país sedento de sonhos àquela altura. 


Dessa mesma parceria é "Menino". Elis gravou muitas músicas de Milton e Brant. Aliás, li há pouco que a Elis se considerava a melhor intérprete das músicas da dupla. E era mesmo, aliás, continua sendo...e esta canção, pra mim, é uma das mais tristes que eu conheço. Aliás, Elis tinha um talento inigualável para interpretar letras "baixo-astral". Faz até o Maguila chorar.


Escolhi esta canção entre todas as outras deste LP, que também são igualmente geniais, porque ela tem uma particularidade que poucos conhecem (e da qual eu soube há pouco). Ela é dedicada a um rapaz morto pela PM do Rio em 1968, durante uma passeata boba em que estudantes reclamavam dos altos preços do restaurante Calabouço, que servia como uma espécie de R.U. A gurizada acuada reagiu com paus e pedras e a choque da PM com tiros. Edson Luís Souto morreu na hora, com um tiro de 45 no peito, antes de completar 20 anos. A "desculpa" esfarrapada de um general no dia seguinte ao conflito traduz bem o espírito da época (que hoje não é muito diferente):


"Em visita à Assembléia, o General Niemeyer defendeu os policiais. Indagado por que a polícia atirara, respondeu:
- A polícia estava inferiorizada em potência de fogo.
- Potência de fogo? É arma?
- É tudo aquilo que nos agride. Era pedra.”   - Jornal do Brasil, 29 de março de 1968


Aí abaixo, a quem interessar, tem dois links com maiores explicações sobre a tragédia do Restaurante Calabouço. Também a quem interessar, abaixo tem mais dois links do 4shared pra baixar o disco inteiro, que é uma obra prima da música brasileira, o retrato de uma época.





Um comentário:

Juliano Verardi disse...

olha o cara postando de novo...! abraço