quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CORRA E OLHE O CÉU

http://www.youtube.com/watch?v=DXqSLUUb-Tc


                            Uma música linda, de um compositor lindo (espiritualmente) que amo. Uma música que pra mim traduz o que é o amor. É essa simplicidade que se tem quando se gosta de alguém de verdade, do fundo do coração. O Cartola é sim um espírito de luz, deve estar brilhando por lá, em algum lugar. E eu acho essa música muito apropriada pra dedicar a uma luz querida que passou em minha vida com seus cabelos cor de cobre e que eu vou sempre amar, porque é um espírito maravilhoso que está por aí, e que um dia vou encontrar no infinito de tudo, aquele infinito dos amigos espirituais, que às vezes a gente tem a sorte de encontrar na Terra. Um grande beijo pra ti, e essa música que tantas vezes toquei.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

É DE MANHÃ



Acho que já disse aqui que as músicas mais simples às vezes são as mais bonitas.


Vi semana passada a entrevista do Caetano no Jô e fiquei impressionado. Que o Caetano é um grande poeta, todo mundo que conheça um pouco da natureza humana já sabe. Na verdade, pra mim, essa entrevista mostrou muito mais sobre o Jô Soares do que sobre o Caetano. A maneira como ele ficou engasgado escutando uma de suas músicas preferidas tocada pelo Caetano mostrou que atrás daquela aparente frieza, existe um cara muito sentimental, provavelmente sua verdadeira personalidade. Já vi muita gente reclamar - inclusive eu mesmo já reclamei – do senso de humor do gordo, que às vezes beira a arrogância. Mas ver ele quase se desmanchar na frente do Caetano foi demais, mostrou um lado dele que é bonito e acredito muito nesse lado.



A música foi “É de Manhã”, eu já nem lembrava mais dela, super simples e super rara em sua combinação de simplicidade e beleza. A cara do estilo do Caetano, pelo menos no que se refere à “primeira fase” de sua carreira. Durante a entrevista, ele também toca “Sampa” e “O quereres”, composições que também dispensam comentários.




Aí embaixo tem os links da versão de “É de Manhã” cantada pela Maria Bethânia e da entrevista recente do Caetano no programa do Jô.

http://www.youtube.com/watch?v=OR9laAmDR_M



domingo, 12 de junho de 2011

MENINO

http://www.youtube.com/watch?v=Eq7tu4NvyE0


Essa é do disco Saudade do Brasil, da Elis Regina. Lembro que nossa mãe escutava muito esse LP quando a gente era pequeno. Acho que a Elis tinha recém morrido e meus pais eram muito fãs, assim como metade do país. Lembro bem, também, que esse disco tinha algumas músicas que podem ser chamadas de verdadeiro "som pesado", com letras muito mais "pesadas" que qualquer banda boba de metal. "Aos nossos filhos", "As aparências enganam", "Onze Fitas" e essa que é a razão deste post. Fazendo contraste com as pesadas, o LP tinha outras canções bem alegres, como "Marambaia", "O Primeiro Jornal", "Alô, alô, marciano", "Maria, Maria", etc. Além da clássica "Canção da América", obra prima da parceria Milton Nascimento + Fernando Brant, que tanto bem trouxeram à poesia do nosso país sedento de sonhos àquela altura. 


Dessa mesma parceria é "Menino". Elis gravou muitas músicas de Milton e Brant. Aliás, li há pouco que a Elis se considerava a melhor intérprete das músicas da dupla. E era mesmo, aliás, continua sendo...e esta canção, pra mim, é uma das mais tristes que eu conheço. Aliás, Elis tinha um talento inigualável para interpretar letras "baixo-astral". Faz até o Maguila chorar.


Escolhi esta canção entre todas as outras deste LP, que também são igualmente geniais, porque ela tem uma particularidade que poucos conhecem (e da qual eu soube há pouco). Ela é dedicada a um rapaz morto pela PM do Rio em 1968, durante uma passeata boba em que estudantes reclamavam dos altos preços do restaurante Calabouço, que servia como uma espécie de R.U. A gurizada acuada reagiu com paus e pedras e a choque da PM com tiros. Edson Luís Souto morreu na hora, com um tiro de 45 no peito, antes de completar 20 anos. A "desculpa" esfarrapada de um general no dia seguinte ao conflito traduz bem o espírito da época (que hoje não é muito diferente):


"Em visita à Assembléia, o General Niemeyer defendeu os policiais. Indagado por que a polícia atirara, respondeu:
- A polícia estava inferiorizada em potência de fogo.
- Potência de fogo? É arma?
- É tudo aquilo que nos agride. Era pedra.”   - Jornal do Brasil, 29 de março de 1968


Aí abaixo, a quem interessar, tem dois links com maiores explicações sobre a tragédia do Restaurante Calabouço. Também a quem interessar, abaixo tem mais dois links do 4shared pra baixar o disco inteiro, que é uma obra prima da música brasileira, o retrato de uma época.





terça-feira, 17 de maio de 2011

PAGANDO BRABO

http://www.youtube.com/watch?v=cZoFFMnbr5Y

Achei de novo meu blog velho que mal comecei e larguei de mão por falta de tempo para parar e relembrar velhas músicas na minha memória. Agora, 4 anos depois, lembrei o login e tô de volta!

Essa é um clássico do Raul - nem tanto assim - do disco "Mata Virgem", de 1978. Digo que é clássico pra quem é fã do maluco beleza, categoria que geralmente "vai atrás" dos lados B.

Descobri há pouco tempo que quem toca a guitarra nessa gravação é o Pepeu Gomes, na época ainda tocando com os Novos Baianos. Ele usa uma distorção combinada com outro efeito que ainda não descobri direito qual é. Tipo de timbre claramente anunciando o estilo dos anos 80, do qual não sou muito fã, mas que nessa canção caiu como uma luva e não consigo imaginá-la sem essa cor no som. Deve haver quem discorde de mim...

A lembrança que me traz essa música é de quando eu tinha uns 17 anos. Na casa da praia lá em Torres, eu e minhas irmãs costumávamos reunir uma galera (geralmente uns 7 ou 10) pra curtir um som, tomar um trago (leia-se congelador lotado de Polar e batidas de cachaça de Marisqueira com leite condensado) e depois sair pra rua prontinho. Todo mundo novinho, em alto astral, cheio de energia e o melhor: sem ressaca no outro dia, no máximo uma dorzinha de cabeça. A bebida era bem mais barata naquela época, a garrafa 600 ml de cerveja custava 70 centavos no supermercado e o litro da nossa heroína Marisqueira, menos de 2 reais. Meu lado bebum sente muita saudade... Afinal isso era 95 e ainda lembro com clareza dos preços de então (não pergunte como).

Impossível citar Raul sem citar trago, festa, além de outras questões bem mais profundas. E essa música me lembra exatamente disso: trago, festa e outras questões "mais profundas"!!

PS: Pra quem souber me responder qual o efeito que o Pepeu usa (flanger?) e por que o nome da música é Pagando Brabo, eu "tiro meu chapéu", como diria Raul.