sexta-feira, 24 de agosto de 2007

THREE LITTLE BIRDS


http://www.youtube.com/watch?v=kIjkW6iyXNo

A massa vincula ignorantemente a imagem de Bob Marley apenas ao reggae e aos enormes charutos de maconha que ele e sua trupe fumavam, ressaltando sua fama de grande maconheiro e reduzindo sua figura a isso. Porém, quem realmente é fã dele como eu sabe que seu trabalho foi de grande importância social na Jamaica, Zimbabwe, Etiópia e continua passando grandes mensagens de luta, positividade e esperança para o resto do mundo desde que sua fama se tornou global a partir de meados dos anos 70.


Em sua terra dizem que Bob foi uma espécie de "enviado" de Jah, assim como o rei da Etiópia Haile Selassié, ou Ras Tafari, como era chamado por seus súditos. Seu avô, que ajudou a criá-lo com sua mãe solteira, acreditava que o pequeno Bob - ou Nesta, seu segundo nome, como era chamado pelos parentes próximos - havia sido tomado por um "duppy" (espírito que segundo a crença jamaicana, pode se apoderar da alma de um bebê recém nascido mudando sua identidade). Nada disso pode ser afirmado com certeza, mas segundo relatos de pessoas de Nine Miles, vilarejo onde Marley nasceu, quando criança ele tinha o poder de ver a vida das pessoas lendo mãos, fato afirmado inclusive por reconhecidos céticos, como um delegado de polícia local, que declarou ter escutado estórias de seu passado e previsões coerentes sobre sua vida saídas da boca do pequeno Nesta, na época com 7 ou 8 anos de idade.


Aqui, passo a tradução de uma canção um tanto básica de Bob, que mostra seu lado alegre e puro, para mim, grande expressão de felicidade plena e simples, se tornando uma espécie de mantra otimista...provavelmente voltarei neste blog com outras canções de Bob, mostrando suas outras faces, já que este foi um grande compositor e não se resume em um só estilo.


"Don't worry about a thing,Não se preocupe com nada,

Cause every little thing gonna be all right.Pois todas as coisas vão dar certo.

Don't worry about a thing,Não se preocupe com nada,

Cause every little thing gonna be all right.Pois todas as coisas vão dar certo.

Rise up this mornin',Me levantei esta manhã,

Smiled with the risin' sun,Sorri por causa do sol nascente

Three little birdsTrês passarinhos

Pitch by my doorstepEstão na soleira da minha porta,

Singin' sweet songsCantando doces canções

Of melodies pure and true,De melodias puras e sinceras

Sayin' "This is my message to you-ou-ou"Dizendo: "esta é minha mensagem para você... "

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

ÁGUA E VINHO



http://www.youtube.com/watch?v=AYoEddbvBxI

Seguindo no clima "esperando com o dedo no Rec", lembrei dessa canção que eu tinha gravada do rádio em uma fita cassete muita antiga, em uma versão só com piano e uns sinos tocando ao fundo. Embora eu não seja conhecedor da obra de Egberto Gismonti, conheço essa canção apenas e tenho um carinho especial pela tradução da melancolia que ela traz, com suas escalas diferentes do padrão, traço da genialidade desse cara que é conhecido no resto do mundo, mais do que no Brasil que é seu país de origem...


Perdi a fita já faz um bom tempo, então, um dia desses, um amigo do lugar onde eu trabalho ria brincando que o chapéu que eu usava era parecido com o do Egberto...nesse momento lembrei do K7 gravado e comentei com ele que nunca mais havia escutado a música que estava gravada nele e da qual eu gostava bastante. Isso me fez em seguida procurar pela canção. Qual minha surpresa quando descobri que ela tinha uma letra - pois achei uma versão com letra, acho que cantada pelo próprio Gismonti, embora não esteja muito certo disso - muito bonita e que se encaixa perfeitamente no clima da melodia:


"Todos os dias passeava secamente na soleira do quintal

À hora morta, pedra morta, agonia e as laranjas do quintal

A vida ia entre o muro e as paredes de silêncio

E os cães que vigiavam o seu sono não dormiam

Viam sombras no ar, viam sombras no jardim

A lua morta, noite morta, ventania e um rosário sobre o chão

E um incêndio amarelo e provisório consumia o coração

E começou a procurar pelas fogueiras lentamente

E o seu coração já não temia as chamas do inferno

E das trevas sem fim. Haveria de chegar o amor."


Fiquei intrigado com essa letra na primeira vez que escutei, mas logo notei - e essa é minha interpretação, desculpe-me o autor se estiver errado - que o tema "morte" é chave da estória um tanto visual contada pelos versos, como se na verdade um espírito vagasse à espera de algo pelo dito quintal. Sou ligado nesse lado tristonho das coisas, e vejo uma grande beleza nele - embora isso seja questão pra analista e não pra esse blog, deixo aqui minha admiração por caras que saibam traduzir em letras sentimentos sem nome definido.


SLEEPWALK



http://www.youtube.com/watch?v=ogxTQXAgY3Q

http://www.youtube.com/watch?v=7J_1LK3dJqY

Sucesso absoluto nos EUA em 1959, Sleepwalk foi o debut dos irmãos Farina - Santo & Johnny, dois jovens guitarristas de talento, que utilizavam um instrumento até hoje não muito comum, embora conhecido no meio country americano: um tipo de mesa contendo três lap steels tocados com slide - espécie de tubinho de vidro ou metal que encaixa no dedo e tange a superfície das cordas. O lap steel - aqui conhecido como guitarra havaiana, embora este nome englobe erroneamente outros modelos - consiste em uma espécie de guitarra tocada na horizontal, não raro o executor utilizá-la sobre seu colo (daí o nome lap) com o slide na mão esquerda e dedais de metal na direita. Santo tirava daí efeitos sonoros celestiais como o assobio no início que parece convocar quem escuta a seguir no ritmo da música.

Esta canção teve inúmeras versões, sendo um verdadeiro clássico da música norteamericana, mas a versão mais conhecida do público atual e que mais me tocou é dos Stray Cats, lançada em 1992 no àlbum "Choo choo hot fish". A tradução dada a ela pelo inegável talento do guitarrista Brian Setzer, que nos leva a nuvens boiando em noite de lua, com aquele tom de roxo luminoso e com a sensação de estar flutuando entre elas, foi um marco na minha adolescência, na época em que se colocava fita cassete no rádio-toca-fitas, sintonizava-se a Ipanema (que, na época, era bem melhor que hoje) e esperava-se com o dedo no Rec.